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domingo, 28 de julho de 2013

Balanço sobre a visita do Papa Francisco

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Brasil Progresso – O Papa Francisco, com toda certeza, surpreendeu todos os brasileiros, e até o mundo. Com suas palavras de paz, não deixou de comentar sobre política. Afinal, pode a religião falar de política?

Charles-Louis de Secondat, barão de La Brède e de Montesquieu, conhecido como Montesquieu, preconizou a Democracia como forma de política universalista dos Direitos Humanos.

“O amor da democracia é o da igualdade” (Montesquieu)

Não se pode dizer que há Democracia plena quando há desigualdades desumanas. A  Constituição Federal de 1988 tem o espírito dos movimentos iluministas do século XVIII.

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Os ideias iluministas (Liberdade, Igualdade e Fraternidade) preconizavam a liberdade de expressões e sentimentos, a igualdade perante a lei e ao direito a propriedade privada da terra, cujos direitos são inerentes a cada ser humano, independentemente de etnia, casta, cor, sexualidade, religiosidade, e devem ser garantidos pelo Estado. Sem esses direitos o povo deve se revoltar e derrubar o modelo político existente

John Locke, precursor do iluminismo, na Inglaterra, era contra a concentração de poder nas mãos do Rei. O rei detinha poder sobre as vidas de outros seres humanos. A palavra do rei era a palavra de Deus e, assim, não podia ser questionada sob condição de ser morto, jogado numa masmorra.

As desigualdades sociais na Europa, no século XVIII, não deixavam dúvidas sobre necessárias mudanças nas políticas vigentes da época. O povo vivia na miséria, as pequenas ajudas do rei serviam para distrair, mitigar a fome do povo. A vida faustosa do rei e sua nobreza incomodavam homens livres em suas almas. Universalistas, os iluministas foram a tocha à iluminar e direcionar o povo contra as políticas de austeridades aparentes. Apesarem de ideias políticos, os iluministas tinham fervorosa fé, amor, solidariedade. Era sim contra os dogmas religiosos da época, a força implacável da Igreja Católica - as ideias religiosas da Idade Média se baseavam em uma séria de dogmas ditados pela Igreja. Os dogmas eram tidos como verdades incontestáveis. Aquele que ousasse opor-se era submetido a severas punições por parte das autoridades religiosas. Ideias inovadoras eram repudiadas, caso contrariassem direta ou indiretamente a esses dogmas.

O Papa Francisco incorporou os ideais iluministas, mas, também, ideais de Francisco de Assis, que também já tinha as ideias iluministas em sua alma.

O Papa Francisco discursou, e o discurso pegou de surpresa as bases políticas do Brasil. Por décadas, as propagandas políticas ao exterior do Brasil, e até internamente, soaram como de um país que respeitava a CF/1988 iluministas. Mas a realidade era, e é ainda, bem diferente, distanciada das propagandas políticas populistas de austeridade. O Papa Francisco não escondeu sua preocupação com os idosos e os jovens, que são, e estão delegados ao esquecimento. No Brasil, os jovens não possuem educação (moral, espiritual e intelectual), eficiente, os cuidados que merecem, como proteção aos narcotraficantes, por exemplo – e por que não dizer contra a prostituição infantil? -, aos idosos, a certeza de uma vida sofrida pelas políticas que degradam a imagem do idoso na sociedade brasileira. Degradação esta que é visível, o desrespeito aos idosos quanto aos direitos constitucionais, de ter vida digna.

Francisco também discursou sobre a elitização no Brasil. Bem visível, a qualquer pessoa que ronde as metrópoles brasileiras: comunidades carentes fazem fronteiras com luxuosos condomínios. Há uma nova constituição de gueto, no Brasil. Antes (década de 1960, por exemplo), os guetos eram aglomerações de excluídos (negros, nordestinos) pelas políticas da época, assim como a mentalidade da sociedade civil. No século XXI se veem guetos elitizados (maioria de pessoas brancas, de nome e sobrenome, de lobistas, de políticos) cujos moradores possuem toda a infraestrutura que se espera de um país que possui uma das maiores economias mundiais. Sim, a má distribuição de renda é um problema seríssimo que transforma a vida dos milhões de brasileiros, não elitizados, excluídos, em verdadeiro inferno.

Pediu também aos jovens de todo o mundo, àqueles que querem ser "protagonistas da mudança", que "sigam superando a apatia" de forma "ordenada e pacífica". "Saiam às ruas!", disse Francisco.

O legado de Francisco é o legado dos iluministas, de Francisco de Assis, dos ideais de universalização ao bem-estar de todos. Muitos esperavam que o papa falasse apenas sobre aborto, prostituição, casamento gay, liberação da maconha, mas os temas centrais foram a corrupção (política), as desiguales sociais nas distribuições de renda, a exclusão de pessoas (idosos e jovens) ao bem-estar (físico, espiritual e psíquico), o distanciamento das virtudes humanas no convívio social, familiar, entre pessoas estranhas.

Sim, o pontífice centralizou temas universalistas, e não isolados. De nada adianta cada qual defender seus ideias se há muitos outros precisando de ajuda, urgentemente. O egoísmo é a máxima deste século, onde grupos se formam, mas se esquecendo de que as necessidades de muitos superam a de poucos, ou de um só. No mundo das informações rápidas, do apego à tecnologia, às mudanças sociais particulares, a solidariedade ao próximo foi esquecida. E solidariedade não é de causas de grupos afins.

Ante a liberdade de expressão, de convicção religiosa, da liberdade sexual, o mundo precisa saber que há necessidade de união. União essa que é a defesa aos mais fracos, aos necessitados, que não possuem forças de protesto, onde suas vozes não são ouvidas, assim como seus desesperos. Pode-se dizer que a corrupção é a mais violenta ação contra o direito sagrado de ter qualidade de vida. Corrupção cria apatia, pois cada ser humano procurará sobreviver, e agirá como puder. Corrupção, desigualdades sociais por políticas elitizadas, por mentalidades sociais elitizadas, estas condutas distanciam o ser humana de sua civilidade, da religiosidade, de Deus.

Brasil Progresso sempre frisou a urgência de mudanças diante das políticas de “pão e circo”. Nenhum ser humano terá vida digna se somente tiver acesso ao consumismo, o que vem sendo uma das políticas de muito tempo.

Ter eletroeletrônicos e eletrodomésticos, carro de última geração, não é ter qualidade de vida quando os valores espirituais, as virtudes humanas são jogadas ao solo petrificado dos corações. Num país, que é uma das maiores economias mundiais, não se pode dizer que se tenha respeito à vida humana cujos milhões de brasileiros sobrevivem com menos de R$ 200,00 por mês, cujas políticas distribuem porcamente as riquezas, cujos cidadão não sabem o que é comer frutas, grãos (que são produzidos em abundâncias em nosso país), cujos idosos se veem obrigados a assumirem dívidas, impagáveis, diante de políticas que descaracterizam o poder real das aposentadorias, que é dignidade, cujos investimentos nos serviços públicos (saúde, transporte público etc.) são desviados aos bolsos e cuecas de corruptos políticos, cujas manobras políticas tentam diminuir os poderes investigatórias de instituições democráticas sérias (PEC – 37).

Enfim, o Papa Francisco marcou presença nos corações dos brasileiros que queriam uma luz, uma voz que conclamasse Ordem e Progresso. Francisco foi essa voz, a voz que, com certeza, não foi inspirada pelo homem Francisco, apenas, mas por Deus.

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Sobre o Autor:
Humanista que contribui para a efetiva aplicação do artigo 3°, da CF/1988; (objetivos fundamentais), do artigo 5°, da CF; (Direitos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana), do artigo 37 (princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência; principalmente sobre a moralidade administrativa) da Constituição Federal de 1988; e Tratados Internacionais sobre Direitos Humanos e Garantias Fundamentais da Pessoa Humana dos quais o Brasil é signatário. NÃO HÁ DIGNIDADE HUMANA NUMA NAÇÃO QUANDO A MAIORIA DO POVO NÃO TEM QUALIDADE DE VIDA SEJA POR: SALÁRIO MÍNIMO QUE NÃO ATENDE AS NECESSIDADES BÁSICAS (art. 7°, IV, da CF); ESCASSEZ OU AUSÊNCIA DE SEGURANÇA PÚBLICA (art. 144, da CF); SERVIÇOS PÚBLICOS INEFICIENTES (LEI Nº 8.987, DE 13 DE FEVEREIRO DE 1995); IMORALIDADE DOS AGENTES POLÍTICOS (LEI Nº 8.429, DE 2 DE JUNHO DE 1992); DOENÇAS PROVOCADAS POR PRECARIEDADE NA INFRAESTRUTURA DE SANEAMENTO BÁSICO (LEI Nº 11.445, DE 5 DE JANEIRO DE 2007); OMISSÃO, NEGLIGÊNCIA DAS AUTORIDADES PÚBLICAS QUANTO AO USO INDISCRIMINADO DE AGROTÓXICOS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA (LEI Nº 7.802, DE 11 DE JULHO DE 1989); VOTAÇÃO SECRETA DE PARLAMENTARES PARA ABSOLVER AGENTE POLÍTICO CORRUPTO..